Durante os primeiros meses tudo o que a criança precisa é de comida, sono e mimo. Pegar nela, apertá-la ao peito e passear com ela pela casa contribuem para que se sinta amada e segura. A criança nasce desejosa de conhecer as coisas do mundo exterior e de percorrer todos os lugares. Mas se não vê, precisa de ser estimulada a pegar nos objetos e a mexer-se por meio de palavras, de sons e de uma grande variedade de objetos para manipular. Assim essa curiosidade inata levará ao seu crescimento e desenvolvimento.
Para começar, a criança cega precisa de ser levada de um local para o outro muito mais do que qualquer outra criança. Ela gosta de ouvir as conversas das pessoas que a rodeiam e gosta, sobretudo, de que falem com ela. Deve sentar-se a criança amparada com almofadas durante algum tempo todos os dias, na mesma idade em que isso se faz com as crianças que vêem.
Se a criança cega souber que existe um fio atravessado no seu berço com objetos vários pendurados ela começará a esforçar-se por alcançar e manusear esses objetos.
Alguns pais só muito tarde começam a brincar com o filho cego. Não o fazem saltar nos seus joelhos e muitas vezes nem sequer lhe pegam. Todos os bebês gostam dessa brincadeira e de demonstrações de carinho sejam cegos ou não. Podem ser pequenos, mas não são frágeis e apreciam uma boa brincadeira com o pai ou com a mãe. Deve sempre dizer-se ao bebê quando se lhe vai pegar ao colo. Caso contrário ele poderá assustar-se se lhe pegarem, de repente, sem contar.
Ajude-o a começar.
Alguns pais deixam o seu bebê cego demasiado tempo deitado no berço - mesmo quando ele próprio já quer movimentar-se e pôr-se em pé agarrado às grades. Fazem isso com medo de que ele se magoe quando começar a andar de um lado para o outro. Mesmo quando o colocam no chão, limitam-lhe o espaço. A maior parte das crianças cegas podem perfeitamente explorar o espaço exterior ao berço. Utilizam-no para andar à sua volta e para se segurarem quando querem ficar em pé, logo após conseguirem manter-se sentadas e tocar o chão.
Pode ser necessário estimular a criança cega a dar alguns passos fora do seu ambiente natural, para sentir a diferença entre o tapete e o chão liso, para tentar encontrar os carrinhos que se puseram em determinado local para ela. Mas não deve nunca forçar-se a isso. Nesse dia ela pode não estar disposta a fazer novas experiências e pode mesmo recusar-se a fazê-las. No dia seguinte ou dois dias depois poderá ser ela própria a querer fazer esse "jogo". Deve dar-se à criança liberdade para ser ela a decidir.
A criança que vê agarra os objetos à sua volta e movimenta-se para os ir procurar. Uma criança cega não procura no desconhecido a menos que seja motivada nesse sentido. Uma voz ou um som que chame a sua atenção - um sino por exemplo - pode ser o ponto de partida para que ela se desloque em sua direção. Alguns pais tentam atrair a criança utilizando o seu brinquedo preferido ou orientam-no nas deslocações tocando-lhe de leve. Até ao momento em que a criança começa a deslocar-se na sala ou no local onde costuma permanecer, o seu campo de exploração é extremamente limitado e os objetos que manuseia também o são. Para além disso o movimento é importante, não só para o conhecimento do mundo que a rodeia, mas também para o seu desenvolvimento muscular.
A criança cega é igual a qualquer outra intelectualmente.
No início, algumas crianças cegas podem ser mais lentas na execução de certas atividades e na aprendizagem. Esta lentidão pode preocupar os pais. Podem ser levados a pensar que o seu filho tem um atraso mental, contudo a lentidão não é fator indicativo de deficiência mental. As crianças cegas têm a mesma capacidade de aprendizagem que as outras crianças. A maior parte são intelectualmente médias, algumas ligeiramente abaixo da média e algumas são mesmo super dotadas, como de resto acontece com as crianças em geral.
Ainda não se conseguiu um teste suficientemente válido para avaliar a capacidade intelectual da criança cega, contudo os psicólogos, os assistentes sociais e outros técnicos que trabalham com crianças com deficiência visual, são unânimes em afirmar que existe uma ligação estreita entre o nível de desenvolvimento e aprendizagem que a criança consegue atingir e as oportunidades e a segurança que lhe foram dadas.
Os pais de uma criança cega podem esperar que ela participe em certas tarefas, tal como acontece com as outras crianças. Não é necessário esperar "que ela seja mais velha", pois, para algumas, ela já tem a idade suficiente e apenas necessita de ter oportunidade. Se a criança cega tiver as mesmas oportunidades que uma criança que vê, tornar-se-á do mesmo modo uma pessoa válida de pleno direito.
Se os pais chegam à conclusão de que determinada tarefa é demasiado difícil para o seu filho, não o devem forçar para que consiga realizá-la inteiramente, mas devem encorajá-lo, elogiá-lo pelo esforço despendido e tentar de novo em outro momento.
Se a criança tem ainda resíduos visuais, ainda que seja apenas percepção luminosa, os pais devem estimulá-la a utilizar esses resíduos o mais possível. Alguns pais preocupam-se quando o seu filho ganha o hábito de esfregar ou tocar nos olhos, abanar as mãos em frente a eles, baixar a cabeça ou virá-la de um lado para o outro. As crianças que vêem por vezes também fazem isto, mas perdem esse hábito muito rapidamente, porque têm muitas outras coisas para verem e ocuparem a sua atenção. Quanto menos importância os pais derem a estes maneirismos, melhor. Se a criança cega estiver interessada por outras coisas, deixará aos poucos de fazer isso. É necessário criar condições e esses maneirismos desaparecerão com a idade.
A criança cega precisa de mais tempo.
Não há grande diferença entre o modo de tratar um filho cego e outro que não o seja, apenas é necessário mais imaginação, mais paciência e geralmente mais disponibilidade, contudo não se trata de uma forma diferente de atuação. Não existe uma fórmula mágica que resulte sempre, tal como não há para as outras crianças. O método utilizado por uns pais pode não resultar com outros. Cada criança é um indivíduo. De criança para criança, os interesses são diferentes, as condições em casa também são, e daí que o método a utilizar tenha que ser igualmente diverso.
Da mesma forma, não existe um método único para todos os pais, porque os pais também são diferentes, por isso não há informações ou sugestões que possam considerar taxativas. Ajudar qualquer criança a crescer é uma tarefa difícil. Por vezes pode até ser bastante ingrato e frustrante. Quando a criança é cega essa tarefa é ainda mais árdua, tanto para o pai como para a mãe.
A criança cega utiliza os outros sentidos.
A aprendizagem e o comportamento da criança cega estão dependentes da audição, do tato, do gosto e do olfato. Desde muito cedo ela aprende a utilizar estes sentidos com maior grau de eficiência do que qualquer outra criança.
Muito interessante vale ver e pensar como futuros pedagogos.
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